INTIMIDAÇÃO
Acho que poderia ser menos blasé, mas a repetição da comédia humana é uma forte contribuição para ficar distante de arroubos. Vez por outra, no entanto, esqueço o apelo rodrigueano – envelheçam! – e me vejo impressionada diante de uma que outra sandice que se espalha de maneira endêmica entre as pessoas.
Uma dessas é a mania mais ou menos recente de elevar aos píncaros dos noticiários as brigas de pátios escolares e de turmas de crianças em parquinhos de diversão. Não que considere louvável bater nos menores ou – como tem acontecido em algumas escolas – alguém agredir com armas quem quer que lhe negue um gole de coca-cola ou um cartão de telefone.
Além da falta de senso para selecionar pautas, a substituição de um vocábulo de uso corriqueiro por outro, desnecessário e falsamente multissignificante, me deixa perplexa.
Intimidação agora tem um outro nome: bullying. Agressão ganhou outro nome: bullying. Menosprezo também é isso: bullying. Complô (coisa muito comum em repartições) é, também, bullying. O que não seria? Difícil saber. Me aponte um cristão que não se esforçou para inserir esta indefectível palavra em pelo menos uma frase, e eu vou acreditar que estou desenvolvendo um acentuado pendor para ver miragens estereofônicas.
Como sabe dessa minha incredulidade diante da pandemia do vírus bullying, um jornalista muito querido me arruma uma divertida companhia para o que pode bem virar uma cruzada: me ligando do Rio (ou seria de São Paulo? Não perguntei, desta vez) acaba de avisar que na sua próxima edição a Revista Playboy traz de novo um autêntico Ivan Lessa, desta vez também demonstrando a sua impaciência com esse vírus.
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Você está lendo “INTIMIDAÇÃO,” uma entrada em Sandra Medeiros
- Published:
- quinta-feira, 21 abril, 2011 / 1:43
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